Uma colher de mel
não é só doçura,
é a vida inteira
de doze pequenas abelhas
que jamais provarão o que criaram.
Cada voo,
cada flor beijada ao sol,
cada gota de néctar
transportada com esforço silencioso,
compõe um milagre
que cabe numa colher.
É preciso um enxame de existência
para fazer o que o humano consome num segundo.
São mil voos por dia,
trabalho de irmandade invisível,
dança de asas entre pétalas,
o zumbido da dádiva
sem pedido,
sem salário,
sem vaidade.
E nós,
tão grandes,
tão cegos,
mal notamos
que estamos a colher o esforço
de uma vida inteira alheia.
Uma colher de mel
é sagrada.
Não pelo sabor,
mas pelo sangue leve
de quem a construiu com o corpo.
Honrar o mel
é lembrar que tudo o que é puro
vem do labor paciente
dos que não precisam de glória.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.