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domingo, 28 de fevereiro de 2010

E rio...


O rio espalha-se
até à eternidade
onde desagua,
rompendo o caminho,
esculpindo o leito,
arrastando sedimentos de memórias,
desde a nascente,
como alimento,
e vida.
E de verde (re)veste a paisagem
e de azul é espelho do céu...

E rio de contentamento
cada vez que o colho à mão
e me refresco,
numa qualquer, quente tarde
de mim.

Sinto a foz,
cheira-me a Outono,
mas contemplo-o
com os mesmos olhos de início,
acreditando na corrente
de sua configuração,
para afogar as palavras
de todos os silêncios.


(E RIO..., foi inspirado no poema O RIO RI, AS FLORES ADORAM, de Carmen Regina, in Divan.)


Ilustração/
Recanto...(óleo s/tela)de DOMINGOS FOSSARI
(http://fossaripintor.blogspot.com/)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

E o galo...

Não consigo pressentir,
a grandeza de tudo o que existe
e vai para além de mim
até ao infinito,
(endoideço de pensar),
nem imaginar,
o quanto ainda desconheço,
enquanto houver aldeia que me
habite
e prenda as vistas,
e a alma,
esconda a outros horizontes,
nunca contemplados
e seja surpreendido pelo inevitável,
e iniba de ser mundo
e Eu.

O caminho
nunca se constrói de certezas;
mas de imprevistos
e resoluções.
E há a desmedida ambição,
as (in)verdades da sobrevivência
e indissolúveis (des)culpas.

E basta que o galo
cacareje apenas uma vez,
e depois de tudo,
para que se ponha fim
à noite,
e se queira escutar
a luz
e ser manhã.