Diziam que era mármore,
mas a pedra rachava
pela raiz seca que a sustinha.
Vestia-se de bronze,
como quem engana os séculos,
mas o tempo não se curva
diante de vozes ocas.
O povo,
primeiro fascinado pelo brilho
de uma promessa rude,
deu por si exausto,
a ouvir ecos sem pão
e tambores sem chão.
Nos salões onde se gritava ordem
começou a entrar o silêncio
pelas frestas.
E a sombra,
que crescia debaixo da túnica,
mostrou o que sempre foi:
um vazio com dentes.
Depois vieram os ventos,
não os da mudança,
mas os da verdade,
que sopra mesmo quando ninguém pede.
As colunas caíram
sem rebentamento.
Caíram,
como caem os que se julgam eternos.
E nas praças
onde o medo tivera altar,
alguém acendeu uma fogueira
sem dizer palavra.
Os outros vieram,
com olhos limpos
e mãos nuas,
e sem líderes,
porque já não precisavam.
O tempo deu a volta,
e o nome do ídolo
perdeu-se na poeira.
Ninguém se lembrou de erguer estátua
a quem tentou dominar com fúria
a terra que só responde
ao que é justo.
E assim caiu.
Sem grito,
sem mártir,
sem saudade.
Como caem
as mentiras,
quando o povo acorda.
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