Há uma tensão de aço no fundo do ar,
como se o mundo prendesse a respiração
à espera de um trovão que já se formou
mas ainda não caiu.
Um poder antigo sobe à superfície
com olhos que não piscam
e mãos que não hesitam.
Há palavras que explodem em silêncio
antes de serem ditas,
e vontades que se cruzam como lâminas
num corredor escuro.
O que em nós resiste é também o que queima,
e o que se impõe
é o que talvez não tenha mais retorno.
Mas entre os choques,
entre os gritos e os muros,
algo em nós deseja ainda compreender,
ainda amar,
ainda renascer do meio da cinza.
Hoje,
o gesto mais forte será o de escutar,
mesmo o que nos fere,
mesmo o que não queremos ouvir.
21 abril 2025
(Poema inspirado na configuração celeste deste dia — posição dos planetas e
aspetos.)
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