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quinta-feira, 10 de julho de 2025

Maria, Guardiã do Silêncio / J.M.J.

Não era a lei que a movia,

nem o altar nem o templo,

mas uma chama

acesa sem testemunhas

no fundo do peito.

 

Ela ouviu o Mestre,

não com os ouvidos,

mas com a alma descalça,

pronta para atravessar

as fronteiras da carne.

 

Disse-lhe:

“O caminho não é obedecer,

mas recordar.

O Reino não se impõe,

revela-se

em quem ousa escutar por dentro.”

 

E ela escutou

e fez do silêncio uma escada,

subiu pelas esferas

que julgam,

que temem,

que dividem,

até chegar ao ponto onde tudo cede

à luz que não julga.

 

Pedro vacilou.

“Como pode ela saber?”

Mas o saber que salva

não vem do mundo,

vem de antes do mundo.

 

Maria trazia o que nenhum homem dera:

a gnose.

Não a que se aprende,

mas a que se recorda

como se voltasse a ser ventre

do próprio divino.

 

Ela não venceu debates.

Não precisou.

A verdade não grita,

respira.

 

E é nesse sopro

que ainda hoje,

quando tudo ruir,

o coração pode lembrar:

a salvação é um regresso,

não uma conquista.

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