Não era a lei que a movia,
nem o altar nem o templo,
mas uma chama
acesa sem testemunhas
no fundo do peito.
Ela ouviu o Mestre,
não com os ouvidos,
mas com a alma descalça,
pronta para atravessar
as fronteiras da carne.
Disse-lhe:
“O caminho não é obedecer,
mas recordar.
O Reino não se impõe,
revela-se
em quem ousa escutar por dentro.”
E ela escutou
e fez do silêncio uma escada,
subiu pelas esferas
que julgam,
que temem,
que dividem,
até chegar ao ponto onde tudo cede
à luz que não julga.
Pedro vacilou.
“Como pode ela saber?”
Mas o saber que salva
não vem do mundo,
vem de antes do mundo.
Maria trazia o que nenhum homem dera:
a gnose.
Não a que se aprende,
mas a que se recorda
como se voltasse a ser ventre
do próprio divino.
Ela não venceu debates.
Não precisou.
A verdade não grita,
respira.
E é nesse sopro
que ainda hoje,
quando tudo ruir,
o coração pode lembrar:
a salvação é um regresso,
não uma conquista.
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