Houve um tempo
em que o céu tocava a terra
sem palavras,
e o gesto era semente de eternidade.
Adão, ao cair,
não perdeu só o Paraíso,
perdeu o som do Nome
que ressoava dentro.
Na caverna,
não se escondeu do mundo,
mas recolheu o mistério.
Três oferendas ficaram;
ouro, incenso e mirra,
não como riqueza,
mas como memória do que viria.
Eva chorava
não o fruto,
mas o esquecimento.
E Seth, com olhos de alvorada,
guardou em silêncio
a herança invisível
dos que caminham de volta.
Porque nem todo o exílio é castigo.
Há caminhos que só se abrem
quando já nada resta
senão o desejo de regressar.
Na caverna,
o tempo não passa,
espera.
Espera pelo Homem que desça,
não em glória,
mas em verdade.
E o Redentor virá,
não para julgar,
mas para recordar o Nome
que esquecemos.
Os tesouros nunca foram ouro,
são chaves
que abrem o coração ao Invisível.
E cada geração que escuta
acrescenta uma sílaba
ao murmúrio original
que um dia,
nos devolverá a Casa.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.