Deram-lhe um anel,
não para reinar sobre o mundo,
mas para escutar o sussurro do invisível.
Vieram a ele
vozes quebradas,
formas sem nome,
e cada uma disse:
"Eu sou a dor que fere no escuro."
"Eu sou o desejo que não descansa."
"Eu sou o medo que habita a infância."
Salomão não os rejeitou.
Chamou-os pelo nome
e fez deles operários da luz,
e pôs cada sombra a erguer o templo
onde a alma se encontra com o silêncio.
Não os amaldiçoou,
ensinou-os.
Não os destruiu,
deu-lhes um lugar no círculo da verdade.
Mas depois,
o ouro subiu-lhe ao sangue,
o anel tornou-se espelho do seu orgulho
e a queda veio
não como castigo,
mas como lição.
Pois quem conhece os nomes da escuridão
e se esquece do seu próprio nome,
constrói ruínas
onde podia nascer eternidade.
O templo permanece,
não em pedra,
mas em quem ousa descer ao abismo
e regressar com os olhos lavados.
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