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quinta-feira, 10 de julho de 2025

Filho do Homem II / J.M.J.

Não veio nas nuvens

nem nos tambores da guerra,

veio sim, no silêncio onde o medo recua,

e no olhar de quem finalmente compreende.

 

Não tem espada,

nem lança,

nem trono,

mas há uma luz nas suas mãos

que aquece até as sombras mais antigas.

 

O Filho do Homem

não julga,

revela.

Não condena,

recorda.

Não exige,

convida.

 

Traz consigo a memória de quem fomos

antes de sermos feridos

e mostra-nos,

sem palavras,

que até o erro

foi um passo em direção ao Amor.

 

Ele não aponta o dedo,

estende a mão

e ao tocar-nos,

a vergonha dissolve-se

como a noite ao toque da manhã.

 

Ele sabe

que o barro de que somos feitos

ainda guarda o sopro da Origem

e com o seu olhar

faz florir

o que esquecemos que éramos.

 

O Filho do Homem

é a semente do futuro

que já germina no presente.

Não vem salvar,

vem despertar.

 

E ao passarmos por Ele,

não seremos os mesmos,

porque o reconhecemos

sem nunca o termos visto,

porque, no fundo,

sempre fomos Ele.

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