Não veio nas nuvens
nem nos tambores da guerra,
veio sim, no silêncio onde o medo recua,
e no olhar de quem finalmente compreende.
Não tem espada,
nem lança,
nem trono,
mas há uma luz nas suas mãos
que aquece até as sombras mais antigas.
O Filho do Homem
não julga,
revela.
Não condena,
recorda.
Não exige,
convida.
Traz consigo a memória de quem fomos
antes de sermos feridos
e mostra-nos,
sem palavras,
que até o erro
foi um passo em direção ao Amor.
Ele não aponta o dedo,
estende a mão
e ao tocar-nos,
a vergonha dissolve-se
como a noite ao toque da manhã.
Ele sabe
que o barro de que somos feitos
ainda guarda o sopro da Origem
e com o seu olhar
faz florir
o que esquecemos que éramos.
O Filho do Homem
é a semente do futuro
que já germina no presente.
Não vem salvar,
vem despertar.
E ao passarmos por Ele,
não seremos os mesmos,
porque o reconhecemos
sem nunca o termos visto,
porque, no fundo,
sempre fomos Ele.
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