Há dias em que sou chama sem limites,
um impulso que se perde na vastidão do ar.
Quero ser inteiro, mas o reflexo desfaz-se
mal tento abraçar-me ao fundo.
A cada movimento, uma dúvida,
a cada certeza, um murmúrio distante,
como se algo me chamasse
mas falasse noutra frequência.
E no entanto, sei:
há calor em mim
mesmo quando a chama se esconde,
há vestígios de luz
mesmo quando o horizonte é sombrio.
Não peço firmeza,
mas a leveza que me impulsiona,
não busco direção,
mas a coragem de me perder sem medo.
Talvez não seja o tempo das respostas,
talvez este seja o tempo
de flutuar por entre sombras,
e entender que sentir
também é ver.
Mesmo sem saber quem sou,
sei que sou,
mesmo sem saber para onde vou,
há em mim uma estrela,
e ela nunca deixou
de querer brilhar.
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