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quinta-feira, 10 de julho de 2025

Sem templos / J.M.J.

Não procuro altar

nem me curvo a doutrinas.

 

Não é de fé

que me alimento,

mas da sede de saber,

da beleza inesperada,

do pensamento que abre

e não fecha.

 

A minha oração é ciência,

o meu templo é o corpo do mundo,

a minha religião,

se a quiserem chamar assim,

é este espanto lúcido

com que olho o real.

 

Não creio num deus

com nome ou rosto,

mas ajo como se o sagrado

fosse tudo o que vive,

e tudo o que pode ainda ser salvo.

 

Sou arte,

filosofia,

razão

e se há mística,

é a que nasce

do encontro entre perguntas

e o abismo que responde

com silêncio.

 

 

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