Viemos tarde,
e partiremos cedo.
A Terra não precisa de nós,
acolheu-nos por um instante
como acolheu monstros antigos,
penas gigantes,
olhos de âmbar
e garras na lama.
Eles também pensaram
(com o corpo, não com o pensamento)
que dominavam tudo.
Mas a rotação não parou,
o magma moveu-se,
e o tempo engoliu-os.
O Homem constrói impérios de névoa,
com ambição que não cabe nas mãos,
fabrica armas, ideias, cidades,
mas não sabe conter o abismo que
carrega.
Julga-se eterno
num lugar que vive sem relógio.
Mas o Tempo da Terra
é um respirar que não nos inclui
para sempre.
Um dia seremos nome
numa rocha,
ou pó sem nome.
E outros virão,
e dirão:
aqui também houve vida.
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