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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Na sombra do que se lança (poema da causa e do imprevisto) / J.M.J.

Nem sempre a origem se revela,

nem sempre o desfecho conhece quem lança.

Há causas que se perdem no tempo,

efeitos que surgem sem rosto.

 

Entre o gesto e o eco,

há um campo de silêncio e bruma,

onde o destino e o livre-arbítrio

travam conversas que ninguém escuta.

 

A intenção pode ser semente,

mas a flor que nasce nem sempre

tem a cor que se desejou,

e mesmo assim, é flor.

 

Nem tudo se prevê,

nem todo efeito é justiça ou castigo,

às vezes, é apenas o mundo a escrever

no idioma da sua própria coerência.

 

Aceitar o invisível

é também parte da escolha.

Há fios que não controlamos,

mas seguimos, conscientes,

da sombra do que se lança

à luz do que floresce.

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