Senhor do Tempo, quando chegar a tua hora,
desce com o teu peso sereno.
Depois do tropel
de miragens e fervores,
deixa que as poeiras assentem,
que a verdade, despida de encantos,
possa voltar a erguer-se.
Que os olhos febris
que seguiram vozes douradas
vejam, enfim,
que a realidade não se semeia
no delírio ou no engano,
mas na pedra, no intento,
no labor paciente
de quem aceita ver.
Nem tudo se cumpre de uma só alvorada,
mas sei que voltarás, inteiro,
no silêncio maduro do fim do próximo inverno.
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