Na solidão
há quem se devore por dentro,
não por fome,
mas por excesso de escuta.
Cada pensamento
vira faca;
cada memória
pede contas.
Na multidão,
ninguém mastiga devagar;
corpos roçam,
palavras empurram,
e o que sobra
é sempre alguém menor.
Uns chamam a isto pertença;
outros, sobrevivência.
Não há abrigo inteiro:
o silêncio corrói
e o coro devora.
Viver
é escolher onde a ferida respira,
sem fingir
que não dói.
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