Há momentos
em que não escolher
já é uma escolha.
Não dizer
não suspende o mundo;
apenas o deixa seguir
sem resistência.
O silêncio veste-se de prudência,
mas aprende depressa
a linguagem do conforto.
Enquanto isso,
direitos não caem de repente:
são retirados devagar,
com a colaboração
de quem olha
e chama a isso distância.
Não é preciso violência
quando basta a ausência,
não é preciso imposição
quando o hábito substitui o juízo.
A neutralidade não é um lugar:
é uma margem
onde o mal descansa
sem ser nomeado.
E tudo o que não é nomeado
volta,
sempre,
como normal.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.