O inferno não começou
como fogo,
mas como ideia.
Primeiro foi sombra,
depois aviso
e, mais tarde, método.
Aprendeu-se a temê-lo
antes de o ver,
a obedecer
antes de cair.
Não precisou de portas:
entrou pelo medo,
pela culpa,
pela promessa
de salvação adiada.
Com o tempo,
deixou de ser lugar
e passou a morar na cabeça,
no corpo que se vigia
e no desejo que se acusa.
Hoje quase ninguém acredita nele,
mas muitos vivem
como se ainda lá estivessem.
O inferno persiste
onde a diferença é punida,
o erro não tem regresso
e o silêncio é imposto
em nome do bem.
Não arde:
organiza,
classifica,
corrige.
E, quando tudo falha,
apresenta-se
como consciência.
O paraíso prometido
ficou para depois;
o inferno, esse,
foi instalado
a tempo inteiro.
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