Nada do que nos nomeia é eterno:
nem osso,
nem código,
nem sinal que um dia disse
“é isto”.
O tempo não destrói de repente;
desgasta em silêncio,
como a água que apaga uma inscrição
sem nunca a negar.
Aquilo que parecia essência
revela-se provisório;
não por falha,
mas por fidelidade à mudança.
A vida não promete permanência,
apenas continuidade sob outras formas.
Quando algo desaparece,
não é o fim do sentido,
é a sua reescrita.
Talvez o mais humano não seja durar,
mas atravessar a própria erosão
sem fingir que somos pedra.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.