Não era Narciso quem se amava,
era o lago.
O lago não via beleza,
via-se a si mesmo
no brilho dos olhos que o fitavam.
Narciso inclinava-se,
o lago aprofundava-se.
Não foi o rosto que o prendeu,
foi o reflexo a acontecer.
Por isso Narciso não morreu de amor,
morreu de permanência.
E o lago,
que nunca teve corpo,
vai-se
nos olhos de quem o olha.
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