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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Narciso

Não era Narciso quem se amava,

era o lago.

 

O lago não via beleza,

via-se a si mesmo

no brilho dos olhos que o fitavam.

 

Narciso inclinava-se,

o lago aprofundava-se.

 

Não foi o rosto que o prendeu,

foi o reflexo a acontecer.

 

Por isso Narciso não morreu de amor,

morreu de permanência.

 

E o lago,

que nunca teve corpo,

vai-se

nos olhos de quem o olha.

 

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