Não é o erro que dói,
é vê-lo,
e por isso ajusta-se o mundo
até caber na crença.
Trocam-se factos por versões,
perguntas por ruído,
e chama-se equilíbrio
ao alívio momentâneo.
Quando a verdade pressiona,
culpa-se o mensageiro,
desloca-se o foco
e simplifica-se o intolerável.
Não é mentira consciente:
é defesa.
A consciência pesa,
e o ego prefere leveza,
mesmo que custe
o contacto com o real.
Assim, aprende-se a viver
com ideias que não tocam,
escolhas que não se olham
e silêncios que parecem paz.
Mas por dentro algo range:
não é culpa,
é fratura.
E o preço de não sentir
é continuar inteiro,
mas apenas
por fora.
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