A história não avisa quando mente,
apenas fala com voz segura;
as leis apresentam-se limpas,
mas escondem a mão que as escreveu
e os líderes vestem passado,
chamam herança ao que é interesse,
e repetem nomes antigos
para justificar gestos novos.
O poder não grita sempre;
muitas vezes explica, contextualiza,
reinterpreta.
E quem controla o enredo não precisa de vencer batalhas,
basta organizar a memória.
Há guerras travadas em arquivos,
conquistas feitas por frases,
invasões que começam num parágrafo bem escolhido.
Chamam ordem à força,
destino à ambição,
e verdade à versão que sobreviveu.
Por isso a história não é descanso,
é vigilância,
não para negar o passado,
mas para impedir que ele seja usado
como arma contra o presente.
Pensar historicamente é recusar o conforto da narrativa única
e aceitar que a verdade, quando existe,
raramente vem coroada.
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