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sábado, 17 de janeiro de 2026

Versões

A história não avisa quando mente,

apenas fala com voz segura;

as leis apresentam-se limpas,

mas escondem a mão que as escreveu

e os líderes vestem passado,

chamam herança ao que é interesse,

e repetem nomes antigos

para justificar gestos novos.

 

O poder não grita sempre;

muitas vezes explica, contextualiza,

reinterpreta.

E quem controla o enredo não precisa de vencer batalhas,

basta organizar a memória.

 

Há guerras travadas em arquivos,

conquistas feitas por frases,

invasões que começam num parágrafo bem escolhido.

 

Chamam ordem à força,

destino à ambição,

e verdade à versão que sobreviveu.

 

Por isso a história não é descanso,

é vigilância,

não para negar o passado,

mas para impedir que ele seja usado

como arma contra o presente.

 

Pensar historicamente é recusar o conforto da narrativa única

e aceitar que a verdade, quando existe,

raramente vem coroada.

 

 

 

 

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