O cérebro não foi feito para a paz,
mas para estar de alerta;
aprendeu cedo
que o perigo chega primeiro
e grava o medo
com letra bem funda.
Um grito fixa-se na memória,
um insulto cria morada,
uma perda repete-se
mesmo depois de passar.
O cuidado,
quando surge,
não insiste,
não se defende,
e por isso desvanece.
Não é ingratidão,
é herança:
milhões de anos
a vigiar a margem do escuro,
a medir riscos,
a desconfiar do silêncio.
O negativo pesa mais
não porque seja maior,
mas porque foi treinado
para nunca falhar.
Ainda assim,
há possibilidade:
permanecer mais tempo
no que não ameaça,
repetir o que foi bom
até o corpo reconhecer.
Não para eliminar o medo,
mas para ensinar ao cérebro
que existir
não é apenas sobreviver.
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