Não é o céu que chama,
é o início.
Algo nasce sem memória, com pressa,
como se a urgência fosse verdade.
Forma sem visão,
fé sem chão,
disciplina a querer conter o que ainda não sabe.
O impulso avança antes da clareza
e chama destino ao primeiro gesto.
Constrói-se enquanto se desfaz,
ordena-se enquanto se perde,
e ninguém sabe se isto é começo ou fuga.
O perigo não está no sonho,
mas no sonho armado de certeza.
Quando o vazio se declara fundador,
qualquer ação parece justa
e qualquer chama parece luz.
E o mundo recomeça sem saber ainda
se aprendeu a ver.
(Poema inspirado no encontro entre Saturno e Neptuno
em Carneiro, no dia 20 de fevereiro, traduzindo simbolicamente a tensão entre
ordem e impulso, limite e dissolução.)
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