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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Conjunção

Não é o céu que chama,

é o início.

 

Algo nasce sem memória, com pressa,

como se a urgência fosse verdade.

 

Forma sem visão,

fé sem chão,

disciplina a querer conter o que ainda não sabe.

 

O impulso avança antes da clareza

e chama destino ao primeiro gesto.

 

Constrói-se enquanto se desfaz,

ordena-se enquanto se perde,

e ninguém sabe se isto é começo ou fuga.

 

O perigo não está no sonho,

mas no sonho armado de certeza.

 

Quando o vazio se declara fundador,

qualquer ação parece justa

e qualquer chama parece luz.

 

E o mundo recomeça sem saber ainda

se aprendeu a ver.

 

 

 

(Poema inspirado no encontro entre Saturno e Neptuno em Carneiro, no dia 20 de fevereiro, traduzindo simbolicamente a tensão entre ordem e impulso, limite e dissolução.)

 

 

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