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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Sem Abrigo

O que não cabe em nós

é primeiro negado,

depois insultado,

e se persiste, tenta-se destruir.

 

O desejo, quando vigiado,

aprende a odiar-se,

e o ódio, sem rosto,

procura espelhos onde bater.

 

Há quem viva o corpo

como quem respira,

sem anúncio, sem defesa,

e quem precise de gritar o gesto,

não por excesso,

mas por ter sido silêncio demais.

 

E há quem ataque

não o outro,

mas a parte de si

que nunca teve abrigo.

 

A sexualidade não fere;

o que fere

é o medo de a deixar existir.

 

 

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