O que não cabe em nós
é primeiro negado,
depois insultado,
e se persiste, tenta-se destruir.
O desejo, quando vigiado,
aprende a odiar-se,
e o ódio, sem rosto,
procura espelhos onde bater.
Há quem viva o corpo
como quem respira,
sem anúncio, sem defesa,
e quem precise de gritar o gesto,
não por excesso,
mas por ter sido silêncio demais.
E há quem ataque
não o outro,
mas a parte de si
que nunca teve abrigo.
A sexualidade não fere;
o que fere
é o medo de a deixar existir.
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