O poder não começa no golpe,
mas no acordo silencioso
que já não se discute.
Não grita,
circula.
Passa de mão em mão
quando a relação falha,
e ninguém responde
e todos obedecem.
A violência entra depois,
quando o vínculo já não sustém,
quando a palavra perdeu peso
e resta apenas fazer cumprir.
Não é força:
é falência do comum.
O poder verdadeiro
não precisa ferir;
vive enquanto há espaço
entre quem fala
e quem escuta.
Quando esse espaço fecha,
o poder endurece,
torna-se máquina,
regra sem rosto,
procedimento repetido
por quem já não escolhe.
Então não se governa:
administra-se o vazio.
E chama-se ordem
à ausência de relação.
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