Nada começa em branco:
chegamos já inclinados,
a meio da frase,
com padrões herdados,
medos que não aprendemos sozinhos.
O corpo lembra antes da memória,
repete caminhos
como se fossem leis.
Chamam-lhe escolha,
mas é apenas o espaço
entre dois impulsos
que não pedimos.
Ainda assim, nesse intervalo mínimo,
algo respira;
não muda o mapa,
mas altera o passo.
O destino empurra,
a consciência atrasa.
E às vezes
é nesse atraso,
breve, imperfeito,
que a vida se desvia
o suficiente
para não ser só repetição.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.