Onde a água corre,
alguém ficou.
Não há água sem procura
nem caminho sem passo.
A terra não inventa trilhos,
responde à insistência.
Se há água, houve sede;
se há cano, houve mão;
se há rasto, houve corpo.
Mesmo quando não se vê ninguém,
a presença fica escrita
no que continua a correr.
O mundo reconhece-se assim:
não pelo que brilha,
mas pelo que serve.
Onde a água passa,
a vida já aprendeu
a não estar sozinha.
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