Chamaram virtude
ao que era medo de agir,
e disseram tolerância,
quando o corpo já sangrava
em silêncio educado.
Há males que erram,
e há males que sabem.
Com estes, aguentar não é nobre,
é desistir.
Quando a dor é intencional,
suportá-la não purifica,
corrói.
O limite não é ódio,
mas lucidez;
não levanta a mão,
mas retira o chão.
E talvez seja isso a ética mínima:
não oferecer a própria carne
para salvar a consciência
de quem escolheu ferir.
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