Todos os dias
a pedra volta ao chão,
não por castigo,
mas por fidelidade
ao mundo.
Não há engano:
o peso é conhecido,
a inclinação também
e o esforço não promete
nada.
O absurdo não grita;
espera,
e empurrar é o único gesto honesto
quando não há resposta
que sustente o dia.
Entre subida e queda
existe um intervalo breve
onde a consciência acende:
não há sentido,
mas há presença.
A pedra cai;
eu fico.
E nesse ficar,
sem esperança
nem rendição,
há uma forma de dignidade
que nenhum fim explica.
Não empurro para vencer,
empurro porque estou vivo.
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