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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Disfarces

O ego raramente se mostra nu;

prefere máscaras limpas.

 

Há quem salve

para não se escutar,

quem pense

para não sentir,

quem ria

para não cair,

e quem sofra

para não escolher.

 

A ajuda pode esconder fuga,

a lucidez pode evitar o toque,

a ironia pode ser medo,

e a dor, um trono discreto.

 

Nenhuma máscara nasce por vaidade,

mas de uma necessidade antiga.

 

Mas chega um ponto

em que o disfarce governa,

e a vida passa a ser encenada

em vez de vivida.

 

Talvez crescer

não seja arrancar máscaras,

mas deixá-las cair

quando já não são precisas.

 

 

 

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