Criaram um mundo
sem falta, fome
e perigo.
E algo começou a morrer.
Não foi o corpo,
mas o sentido:
o cuidado tornou-se inútil,
o outro, excesso,
o vínculo, peso.
Quando nada falta,
o sentido emagrece.
A vida não se sustenta só de conforto,
precisa de limite,
risco,
necessidade mútua.
O colapso não veio da escassez,
mas do excesso
sem significado.
E talvez o aviso seja simples:
um paraíso sem propósito
não gera paz,
gera silêncio
até desaparecer.
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