Não somos origem,
somos interseção;
ao que chamamos “ser”
é um intervalo estável
entre forças que não controlamos.
Existir não é possuir identidade,
mas sustentar coerência provisória
no meio do múltiplo.
Nada em nós é totalmente nosso;
nem pensamento,
nem impulso,
nem permanência.
Somos mantidos,
não fundados.
E talvez a maturidade existencial
seja aceitar isto sem desespero:
não a perda do eu,
mas a sua natureza relacional.
Não um,
não puro,
não fechado;
apenas suficientemente íntegro
para continuar.
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