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domingo, 18 de janeiro de 2026

Entre

Não somos origem,

somos interseção;

ao que chamamos “ser”

é um intervalo estável

entre forças que não controlamos.

 

Existir não é possuir identidade,

mas sustentar coerência provisória

no meio do múltiplo.

 

Nada em nós é totalmente nosso;

nem pensamento,

nem impulso,

nem permanência.

 

Somos mantidos,

não fundados.

 

E talvez a maturidade existencial

seja aceitar isto sem desespero:

não a perda do eu,

mas a sua natureza relacional.

 

Não um,

não puro,

não fechado;

apenas suficientemente íntegro

para continuar.

 

 

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