Não é o céu que se altera,
é o chão;
aquilo em que pisávamos sem pensar
começa a ceder,
não por catástrofe,
mas por desgaste.
As antigas certezas já não seguram peso,
as palavras herdadas não explicam o que cresce,
e o futuro deixou de caber nos nomes antigos.
Sente-se no corpo antes de se entender:
um pedido de início sem forma clara,
uma urgência sem direção definida.
Não é caos,
é transição sem manual.
Há quem queira correr,
quem se agarre,
finja que nada muda,
mas todos sentem que algo pede revisão.
O perigo não é a mudança,
é atravessá-la sem chão interior.
Por isso,
o essencial agora não é prever,
nem controlar,
mas aprender a ficar de pé
quando o apoio se move.
Não para dominar o tempo,
mas para não cair com ele.
Que reste isto:
continuar humano
enquanto tudo se rearranja.
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