Há gestos que só acontecem
na ausência do olhar,
não por fome,
mas por permissão;
em público, a língua hesita,
o corpo lembra-se do espelho,
mas a sós,
o instinto relaxa,
a compostura cai
e o desejo não pede licença.
Não é o prato que revela,
é a certeza de não ser visto.
A moral aprende-se com testemunhas;
a consciência, quando fica,
é outra coisa,
e o homem mostra-se inteiro
não quando é observado,
mas quando poderia não o ser.
É aí,
nesse silêncio sem plateia,
que se decide
se há limite
ou apenas hábito.
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