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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Interior

Algo deslocou-se

sem ruído.

 

O dia cumpre-se,

as palavras servem,

mas falta coincidência

entre estar e sentir.

 

Há um cansaço

que não vem do esforço,

mas de sustentar

o que já não responde.

 

Nada desaba,

e isso é o mais estranho:

o mundo continua,

mas por dentro

algo ficou suspenso.

 

Talvez viver agora seja

habitar a espera,

sem nome,

sem garantia,

até que o sentido

volte a tocar o corpo.

 

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