Algo deslocou-se
sem ruído.
O dia cumpre-se,
as palavras servem,
mas falta coincidência
entre estar e sentir.
Há um cansaço
que não vem do esforço,
mas de sustentar
o que já não responde.
Nada desaba,
e isso é o mais estranho:
o mundo continua,
mas por dentro
algo ficou suspenso.
Talvez viver agora seja
habitar a espera,
sem nome,
sem garantia,
até que o sentido
volte a tocar o corpo.
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