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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Quando a Névoa Aumenta

Há tempos

em que o mundo não empurra,

dissolve.

 

As linhas perdem nitidez;

o dentro mistura-se com o fora;

tudo pede mais cuidado

do que resposta.

 

A sensibilidade sobe

como maré silenciosa,

e o que era distância

torna-se ferida próxima.

 

Nesses tempos,

não é a força que sustém,

é o limite,

nem a pressa,

mas sim o chão.

 

Aprende-se

que nem toda a dor nos pertence,

e que sentir não é salvar,

e que profundidade sem margem

é afogamento.

 

Há um saber antigo nisso:

quando a névoa aumenta,

ancora-se o corpo,

respira-se mais baixo,

escolhe-se menos.

 

Não para fechar o mundo,

mas para não desaparecer nele.

 

Há apenas isto:

atravessar o indistinto

sem se diluir,

ouvir o que não tem forma

mantendo os pés.

 

Seguir,

mesmo quando a estrada

parece água.

 

 

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