Há tempos
em que o mundo não empurra,
dissolve.
As linhas perdem nitidez;
o dentro mistura-se com o fora;
tudo pede mais cuidado
do que resposta.
A sensibilidade sobe
como maré silenciosa,
e o que era distância
torna-se ferida próxima.
Nesses tempos,
não é a força que sustém,
é o limite,
nem a pressa,
mas sim o chão.
Aprende-se
que nem toda a dor nos pertence,
e que sentir não é salvar,
e que profundidade sem margem
é afogamento.
Há um saber antigo nisso:
quando a névoa aumenta,
ancora-se o corpo,
respira-se mais baixo,
escolhe-se menos.
Não para fechar o mundo,
mas para não desaparecer nele.
Há apenas isto:
atravessar o indistinto
sem se diluir,
ouvir o que não tem forma
mantendo os pés.
Seguir,
mesmo quando a estrada
parece água.
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