A felicidade não chega limpa,
vem misturada:
traz restos de medo,
marcas do que doeu,
e ainda assim fica.
Não é repouso,
mas respiração possível
no meio do excesso,
um sim frágil dito apesar de tudo.
Surge em instantes
que não se deixam prender:
uma presença compreendida,
ligação improvável,
ideia que acende
no meio do cansaço.
Não promete durar,
apenas fazer sentido
por um momento suficiente
para justificar continuar.
A felicidade não vence o trágico,
aprende a viver com ele,
sem anestesia,
sem fuga.
Talvez seja isso:
não estar bem,
mas estar vivo de forma inteira,
sem abdicar da lucidez,
sem desistir do vínculo.
E quando acontece,
mesmo breve,
não resolve a vida,
apenas prova que ela vale o esforço.
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