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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Felicidade

A felicidade não chega limpa,

vem misturada:

traz restos de medo,

marcas do que doeu,

e ainda assim fica.

 

Não é repouso,

mas respiração possível

no meio do excesso,

um sim frágil dito apesar de tudo.

 

Surge em instantes

que não se deixam prender:

uma presença compreendida,

ligação improvável,

ideia que acende

no meio do cansaço.

 

Não promete durar,

apenas fazer sentido

por um momento suficiente

para justificar continuar.

 

A felicidade não vence o trágico,

aprende a viver com ele,

sem anestesia,

sem fuga.

 

Talvez seja isso:

não estar bem,

mas estar vivo de forma inteira,

sem abdicar da lucidez,

sem desistir do vínculo.

 

E quando acontece,

mesmo breve,

não resolve a vida,

apenas prova que ela vale o esforço.

 

 

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