O mundo não está a sonhar,
está a funcionar;
apertam-se parafusos,
revêem-se regras,
e chamam estabilidade
ao cansaço prolongado.
Tudo gira,
mas ninguém pergunta
para onde.
O trabalho ocupa o dia,
a gestão ocupa o corpo,
e a vida aprende a caber
no que resta.
Fala-se de ordem
quando falta cuidado,
de eficiência
quando falta sentido.
As vidas
sentem frio,
mesmo rodeadas
de gente,
e há um “nós” esquecido
em algum relatório.
Mudam-se métodos,
mas não se muda a lógica;
adapta-se o passo
porque parar parece perigo.
Enquanto o medo
negocia em silêncio,
aceita-se menos céu
para que o chão não caia.
Não é o fim,
mas um intervalo tenso
em que o mundo decide
se aguenta
ou se transforma.
E ninguém sabe ainda
se será escolha
ou apenas necessidade.
(Poema nascido do clima coletivo marcado pela Lua Nova
de 18 de janeiro, num tempo de reorganização, pressão e escolha.)
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.