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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Entre Sistemas

O mundo não está a sonhar,

está a funcionar;

apertam-se parafusos,

revêem-se regras,

e chamam estabilidade

ao cansaço prolongado.

 

Tudo gira,

mas ninguém pergunta

para onde.

 

O trabalho ocupa o dia,

a gestão ocupa o corpo,

e a vida aprende a caber

no que resta.

 

Fala-se de ordem

quando falta cuidado,

de eficiência

quando falta sentido.

 

As vidas

sentem frio,

mesmo rodeadas

de gente,

e há um “nós” esquecido

em algum relatório.

 

Mudam-se métodos,

mas não se muda a lógica;

adapta-se o passo

porque parar parece perigo.

 

Enquanto o medo

negocia em silêncio,

aceita-se menos céu

para que o chão não caia. 

 

Não é o fim,

mas um intervalo tenso

em que o mundo decide

se aguenta

ou se transforma.

 

E ninguém sabe ainda

se será escolha

ou apenas necessidade.

 

 

(Poema nascido do clima coletivo marcado pela Lua Nova de 18 de janeiro, num tempo de reorganização, pressão e escolha.)

 

 

 

 

 

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