O sábio não acumula respostas,
mantém-se disponível;
inclina-se ao mundo
sabendo
que quase tudo ainda falta.
Aprende no detalhe esquecido,
na frase imperfeita,
no erro do outro
e no próprio desvio
que obriga a parar.
A pessoa comum aprende vivendo:
a dor ensina,
a perda corrige,
o tempo afina.
Não procura sentido,
mas algo fica.
O ignorante, porém, fecha-se;
não porque saiba,
mas porque teme
que uma pergunta
desmonte o chão que lhe resta.
Confunde certeza com firmeza,
opinião com verdade,
e chama convicção
ao medo de rever-se.
A sabedoria não está no topo,
está aberta;
não se anuncia,
nem se impõe.
Reconhece-se
quando alguém diz:
“ainda não sei”.
Porque aprender
não é chegar,
é recusar o fim.
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