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sábado, 17 de janeiro de 2026

Preço da Liberdade

A escolha não começa quando pensamos,

começa antes,

num lugar onde o corpo reage

e a memória decide sem pedir licença.

 

A consciência chega depois,

como quem assina um papel já preenchido,

e chama liberdade ao que conseguiu justificar.

 

Não somos livres do impulso,

nem da ferida antiga,

nem do medo que aprende atalhos;

somos livres apenas no intervalo estreito

entre reagir e assumir.

 

A liberdade não é fazer o que surge,

mas sim sustentar o que se vê quando surge.

Ficar.

Aguentar o desconforto de não obedecer

ao primeiro movimento.

 

Pensar custa tempo, energia, solidão.

Pensar atrasa.

E quem atrasa num mundo veloz

parece fraco, indeciso, suspeito.

 

Por isso tantos preferem a certeza pronta,

o gesto automático,

a ideia herdada.

É mais leve não escolher

e chamar destino ao hábito.

 

Mas a liberdade, quando existe, cobra caro:

atenção contínua, responsabilidade sem desculpa,

e a coragem de responder

pelo que já vinha decidido em nós.

 

Não é um dom,

é um trabalho silencioso

feito contra a corrente do próprio corpo.

 

E talvez seja por isso que tão poucos a exercem;

não por falta de vontade,

mas porque exige estar acordado

quando tudo em nós pede descanso.

 


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