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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O Guardião do Limiar

Há um rosto que não escolhe

entre o que foi e o que vem.

 

Mantém ambos abertos,

não por indecisão,

mas por vigilância.

 

Habita o ponto exato onde um passo termina

e outro que ainda não começou.

Não empurra,

não chama,

apenas sustém a porta.

 

Sabe que todo o começo carrega restos,

e que nenhum fim fecha completamente.

 

Por isso guarda as passagens:

não para impedir a travessia,

mas para lembrar que atravessar

exige permanência.

 

Quem o atravessa

não recebe promessas,

mas consciência:

olhar para trás sem ficar,

e em frente sem fugir.

 

O tempo, ali, não corre,

respira.

 

E só passa inteiro

quem aceita levar consigo

o que foi sem deixar de caminhar

para o que ainda não tem forma.

 

 

(Poema inspirado em Jano, deus romano dos limiares e dos inícios. Representado com duas faces, contempla simultaneamente o que termina e o que começa. A ele era consagrado o primeiro dia do ano.)

 

 

 

 

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