Há um ruído que cresce
quando o pensamento encolhe.
Não é voz, é eco,
não é convicção,
é medo vestido de certeza.
Quem pouco vê,
fala alto,
quem não suporta a dúvida,
constrói palcos
e quem não sabe esperar,
chama força à pressa
e verdade à repetição.
A arrogância não nasce do excesso,
mas da falta:
de espelho,
noite interior,
coragem para dizer “não sei”.
E os aplausos vêm,
não como reconhecimento,
mas como abrigo.
Mãos batem mãos
para não tremerem sozinhas.
Forma-se então o círculo:
o vazio confirma o vazio,
o grito legitima o grito,
o líder aprende que pensar é perigoso
e simplificar rende poder.
Não se trata de estupidez,
mas de rendição.
Rendição à facilidade,
à frase curta,
ao inimigo pronto,
à certeza emprestada.
Enquanto isso,
quem hesita parece fraco,
quem escuta parece lento
e quem duvida parece traidor.
Mas é no silêncio,
esse que não pede palmas,
que a consciência se afia.
Pensar não dá espetáculo,
não unifica multidões,
nem promete salvação.
Pensar apenas faz isto:
retira máscaras,
reduz o ego ao tamanho do real,
e devolve ao humano
a responsabilidade de existir
sem precisar de aplauso
para saber que está vivo.
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