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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Entre o Não Ver e o Não Ser

O facto de não vermos

não encerra a existência.

 

Há coisas que não deixam rasto,

não fazem ruído

nem pedem testemunhas.

 

O invisível não é vazio,

é silêncio

fora do alcance

dos nossos instrumentos.

 

Confundimos ausência de prova

com prova de ausência,

como se o real tivesse

obrigação de caber

na nossa medida.

 

Mas o universo

não se explica,

expande-se.

 

Antes do olhar,

houve luz.

Antes do nome,

presença.

Antes da certeza,

mistério.

 

O desconhecido

não é negação,

é espera.

 

E talvez pensar

seja isso:

sustentar o espaço

onde algo pode existir

sem ainda se deixar ver.

 

 

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