O facto de não vermos
não encerra a existência.
Há coisas que não deixam rasto,
não fazem ruído
nem pedem testemunhas.
O invisível não é vazio,
é silêncio
fora do alcance
dos nossos instrumentos.
Confundimos ausência de prova
com prova de ausência,
como se o real tivesse
obrigação de caber
na nossa medida.
Mas o universo
não se explica,
expande-se.
Antes do olhar,
houve luz.
Antes do nome,
presença.
Antes da certeza,
mistério.
O desconhecido
não é negação,
é espera.
E talvez pensar
seja isso:
sustentar o espaço
onde algo pode existir
sem ainda se deixar ver.
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