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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O Primeiro a Passar

O caminho era estreito

demais para a coragem de todos.

 

Viam o limite,

ninguém via a travessia.

 

Não faltava força,

faltava o primeiro corpo

a provar que o medo

não era chão.

 

Bastou um passo;

não um argumento,

nem uma maioria.

 

Um passo visível

onde antes só havia recuo.

 

E então o grupo seguiu,

não por convicção,

mas por alívio.

 

Porque errar sozinho assusta,

mas errar em conjunto consola.

 

O rebanho não procura verdade,

procura abrigo.

 

Pensar exige ficar para trás,

sustentar o desconforto,

aceitar a solidão do início.

 

O progresso não nasce do coro,

nasce do risco de atravessar

sem aplauso,

garantia,

testemunhas.

 

E só depois,

quando o medo já não governa,

o caminho passa a chamar-se

normal.

 

 

 

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