O caminho era estreito
demais para a coragem de todos.
Viam o limite,
ninguém via a travessia.
Não faltava força,
faltava o primeiro corpo
a provar que o medo
não era chão.
Bastou um passo;
não um argumento,
nem uma maioria.
Um passo visível
onde antes só havia recuo.
E então o grupo seguiu,
não por convicção,
mas por alívio.
Porque errar sozinho assusta,
mas errar em conjunto consola.
O rebanho não procura verdade,
procura abrigo.
Pensar exige ficar para trás,
sustentar o desconforto,
aceitar a solidão do início.
O progresso não nasce do coro,
nasce do risco de atravessar
sem aplauso,
garantia,
testemunhas.
E só depois,
quando o medo já não governa,
o caminho passa a chamar-se
normal.
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