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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Constante Mutação

Nada permanece no lugar

onde julgámos definitivo.

 

Até o predador,

feito de instinto e espera,

inclina o focinho para a flor.

 

Bebe o que não mata,

demora-se onde não há presa,

e sai marcado pelo ouro leve do pólen

como quem atravessou um segredo.

 

O corpo aprende antes da teoria;

a necessidade inventa gestos

para os quais ainda não havia nome.

 

Entre montanhas secas,

onde o alimento rareia,

o lobo descobre outra forma de existir:

não rasgar, mas tocar,

e ao tocar, transportar.

 

Não é metáfora,

é matéria viva a mudar de função.

 

E leva nos bigodes um novo futuro

para os filhos,

não como exceção,

mas como possibilidade.

 

A natureza não promete fidelidade

aos nossos conceitos;

adapta-se,

desvia,

inventa.

 

Quando pensamos que tudo já está escrito,

um carnívoro aprende a polinizar

e lembra-nos, sem discurso,

que a sobrevivência

também pode ser delicadeza.

 

 

(Poema inspirado numa descoberta científica recente, que revela comportamentos inesperados no lobo etíope, lembrando que a natureza está em permanente transformação e que a vida encontra caminhos onde os nossos conceitos ainda não chegaram.)

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