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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Entrelaçados

Não somos ilhas,

apesar da pele.

 

Em nós, algo se prolonga

para lá do corpo,

como um fio invisível

que não se rompe

quando nos afastamos.

 

Encontramo-nos,

e o que fica

não é apenas memória,

mas alteração.

 

Depois, o que sentes

já não é só teu;

o que penso

já não nasce sozinho.

 

Há dores que aprendemos

sem as viver,

alegrias que nos chegam

sem explicação,

silêncios que pesam

porque alguém, noutro lugar,

não consegue respirar.

 

Chamam-lhe empatia,

intuição,

coincidência,

mas talvez seja apenas isto:

consciências que se tocaram

e recusaram voltar

a ser inteiramente separadas.

 

Cada gesto entra na trama,

cada palavra desloca o ar,

cada ausência deixa rasto.

 

Não há neutralidade no encontro:

ou nos entrelaçamos,

ou fingimos que não,

e mesmo o fingimento liga.

 

Vivemos assim,

uns dentro dos outros,

sem manual,

sem fronteiras claras,

transportando fragmentos

de quem passou por nós.

 

Talvez seja isso ser humano:

não existir sozinho,

mesmo quando julgamos estar.

 

 

 

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