As palavras sabem disfarçar-se;
vestem intenção,
aprendem boas maneiras,
prometem o que o corpo não confirma.
Para saber o que alguém pensa,
observa a atitude:
é aí que a verdade
se mantém de pé.
Dizemos cuidado
mas passamos ao lado,
falamos de consciência
e escolhemos o cómodo,
invocamos o amor
enquanto praticamos ausência.
É no que se faz,
no tempo que se oferece,
no limite que se respeita,
na mão que fica
ou se retira,
que o pensamento ganha forma.
A ação não teoriza,
não argumenta,
não se justifica:
mostra.
Quem quiser conhecer alguém
não escute apenas a voz;
observe o rasto,
porque é aí,
no que se repete sem discurso,
que o pensamento
deixa de mentir.
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