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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Vigilância

Há lugares onde o grito

não é apenas som.

É forma de caber.

 

Corpos inclinam-se juntos

como se partilhassem a mesma respiração,

sem nunca a dar por inteira.

 

Um nome atravessa o ar

e roça o que precisa de distância

para não ceder.

 

A alegria levanta-se

com a cautela de quem sabe

que pode durar demais.

 

Um riso sobe na garganta

e fica suspenso.

 

O que se chama fraqueza

é um corpo sem lugar

onde pousar o que sente.

 

E mesmo a pertença

tem um lado silencioso,

uma vigilância de fundo

ao que possa denunciar

excesso de humanidade.

 

 

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