Há lugares onde o grito
não é apenas som.
É forma de caber.
Corpos inclinam-se juntos
como se partilhassem a mesma respiração,
sem nunca a dar por inteira.
Um nome atravessa o ar
e roça o que precisa de distância
para não ceder.
A alegria levanta-se
com a cautela de quem sabe
que pode durar demais.
Um riso sobe na garganta
e fica suspenso.
O que se chama fraqueza
é um corpo sem lugar
onde pousar o que sente.
E mesmo a pertença
tem um lado silencioso,
uma vigilância de fundo
ao que possa denunciar
excesso de humanidade.
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