Os piores perderam o medo
porque aprenderam
que o silêncio também protege.
Os melhores cansaram-se de esperar
que a verdade
chegue a horas decentes.
Há crimes que não se escondem:
sentam-se em mesas longas,
assinam papéis
e chamam-lhe prestígio.
Não foi a falta de luz
que fez a noite,
foi o acordo tácito
de não acender.
Porque não é a escuridão
que assusta,
é a luz seletiva.
Quando a esperança se cansa
e o medo muda de lado,
o mundo não colapsa:
funciona.
E o tempo torna-se sombrio
não quando o mal aparece,
mas quando ninguém pergunta
por que continua.
É aí
que verdadeiramente
assusta.