Há um homem que governa salas vazias
como se fossem multidões.
Ergue-se na luz que ele próprio projeta,
e toma o brilho por destino.
O mundo devolve-lhe a silhueta
ligeiramente maior do que é,
e ele chama a isso verdade.
Fala, e o som regressa-lhe limpo,
como se não tivesse passado por ninguém.
Escuta apenas o que se parece com ele.
Não conhece o intervalo entre ato e consequência,
nem o silêncio onde as coisas se corrigem.
Sorri sem que o sorriso lhe chegue aos olhos,
como quem aprendeu a cerimónia
mas perdeu o lugar da alegria.
E quando a presença se dispersa,
fica diante de si, intacto,
procurando confirmação
no vidro que não responde.
Não é a queda que o nomeia,
mas a superfície onde sempre esteve.