Um sistema antigo mantém-se de pé,
mas já não acompanha o ritmo do tempo.
O que era estável
pressiona por dentro.
Ainda se mantém,
mas faz ruído.
Um copo vibra ligeiramente numa mesa
sem chegar a cair.
Tudo surge fora do lugar:
movimentos sem encaixe,
decisões antes de existirem,
respostas antes de perguntas.
As palavras chegam antes da atenção.
Responde-se antes de compreender.
O mesmo regressa,
mudando de forma para permanecer.
O que muda não se fixa.
Entre o que sobra e o que não chega,
há um intervalo breve.
Tudo se move,
sem assentar.
O copo cai
e estilhaça o chão.
(Poema inspirado na leitura dos aspetos astrológicos
do momento, entendido não como tradução direta de configurações simbólicas, mas
como ponto de partida para uma observação mais ampla de dinâmicas de
instabilidade, tensão e reorganização na experiência quotidiana.)