Um impulso percorre o ar,
como se algo quisesse começar
antes de saber o que é.
As coisas avançam um passo
e recuam meio,
não por fraqueza,
mas por excesso de consciência.
Alguns querem romper,
outros querem segurar,
e estas duas forças acontecem
no mesmo corpo.
Ideias surgem rápidas,
claras por um instante,
e logo depois desfazem-se
como se ainda não tivessem forma.
Um cuidado novo instala-se também,
um apego ao que sustenta,
não falha,
e pode ser tocado sem dúvida.
Mas mesmo aí,
algo treme.
Como se o chão
já não fosse exactamente o mesmo,
embora ainda pareça firme.
E no meio disto tudo,
um início insiste
sem pedir certeza;
apenas coragem suficiente
para não esperar mais.
(Poema inspirado no céu do momento, em linguagem
simbólica.)