Primeiro,
as palavras.
Ainda não eram violência,
mas já tinham deixado
de procurar entendimento.
Depois,
as respostas.
Cada uma,
um pouco mais perto
do confronto.
Quem tinha poder
quis mostrá-lo.
Quem o disputava
não recuou.
Entre ambos,
levantaram-se limites
que ninguém sabia
se seriam respeitados.
E o poder
tornou-se ameaça.
O mundo continuou.
As ruas encheram-se
de vozes,
as casas
de notícias,
os ecrãs
de números
que depressa
deixaram de ser números.
E então,
alguém sentiu.
O medo.
A raiva.
A perda.
Aquilo que durante dias
pertencera aos outros
entrou em casa.
Ninguém sabia
onde terminaria.
Foi esse
o momento
em que deixámos
de compreender.
(Poema inspirado no céu entre 2 e 5 de outubro 2026)