Procurei
o meu nome
na voz
dos outros.
Julguei
tê-lo
encontrado.
Mas o eco
vive
apenas
enquanto
há distância.
Só o silêncio
conhece
o regresso.
Só a voz
que volta
a si
deixa
de procurar
o próprio
nome.
Procurei
o meu nome
na voz
dos outros.
Julguei
tê-lo
encontrado.
Mas o eco
vive
apenas
enquanto
há distância.
Só o silêncio
conhece
o regresso.
Só a voz
que volta
a si
deixa
de procurar
o próprio
nome.
Quase
me perco.
O peso
já conhece
todos
os caminhos
da casa.
Mas,
sem aviso,
uma luz
muito antiga
levanta
a cabeça.
Não traz
força.
É ela
a força.
Tem
os olhos
da criança
que fui.
Olha
o mundo
como se
a dor
ainda
não tivesse
aprendido
o meu nome.
É por ela
que continuo
a acreditar
que nem tudo
em mim
aceitou
a noite.
A certeza
chegou
de mãos
fechadas.
Sabia
o nome
de tudo.
Passou
ao lado
do que
não se
anunciava.
A intuição
vinha
devagar.
Não trazia
respostas.
Parava
onde
os outros
não
paravam.
Foi aí
que encontrou
o essencial.
Alguns
seguem
o rumor.
Eu
escuto
uma folha
a cair.
O mundo
permanece
inteiro.
Cada um
aprende
uma língua
para chegar
a si.
Há quem
regresse
cantando,
e quem
regresse
com uma palavra.
Ambos
procuravam
casa.
Demorei
tanto
a chegar
que, por vezes,
duvido
do caminho.
Ainda ouço
os sonhos
que ficaram
à minha espera:
casas acesas
onde nunca
entrei.
Passo
por elas
devagar.
As janelas
já não
me reconhecem.
Talvez
a perda
não seja
o que não vivi,
mas continuar
a falar
com quem
imaginei
vir a ser.
Mesmo assim,
há uma palavra
que insiste
em abrir
caminho.
É por ela
que sigo
a chegar.
Fui eu
que pintei
o teu rosto
com as cores
que me doem.
Depois
chamei-te
inimigo.
Nunca
desconfiei
das minhas mãos.
Passei anos
a afiar
flechas
com o teu nome.
Só depois
percebi:
o arco
que as lançava
tinha a corda
presa
ao meu peito.
Dores
não desaparecem
quando as fechamos.
Aprendem
outra língua.
A porta
que não abrimos
continua
a existir.
O mar
nunca pediu
calma.
Chega
rasgando
a linha
da areia,
leva nomes,
pegadas,
promessas
de verão.
Ainda assim
regressa,
traz sal
para as feridas,
volta
à margem
como quem
nunca deixou
de partir.
A árvore
não escolhe
o vento.
Não lhe pede
clemência.
Inclina-se
quando precisa,
endireita-se
quando pode
e continua
a crescer.
Não expliques
o que o gesto
ainda
não alcança.
Há palavras
que só se escrevem
depois
de andarmos
nelas.
O rio
não prometeu
margem imóvel.
Fomos nós
que lhe pedimos
chão.
Nunca falhou,
apenas
continuou
a correr.
A árvore
sobe.
Nunca precisou
de empurrar
o céu.
Também
a palavra
cresce
sem derrubar
o silêncio.
Quem caminha
olhando
apenas
o horizonte
esquece
a pedra
debaixo
do pé.
No fim,
é sempre
a pedra
que responde.
Cada passo
pedia
o seguinte.
Não porque
o caminho
o exigisse.
Mas porque
o regresso
parecia
não existir.
E, no entanto,
nenhum passo
o tinha
apagado.
Cada pedra
que guardamos
para o outro
pesa
primeiro
na nossa mão.
A pele
aprende
antes de nós.
Depois,
já não sabemos
se ainda
seguramos
a pedra
ou se é ela
que nos segura.
A chama
manteve-se
acesa.
Ninguém
ficou
para ver
o que ardia.
A madeira
estalava
como quem chama.
Talvez
a eternidade
seja isto
arder
sem testemunha.