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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Limiar do Espelho

O espelho não pergunta

se valemos,

mostra

onde não cabemos.

 

O que se repete

não é rosto,

é movimento

sem origem.

 

A moldura

não protege,

fecha

o lugar

onde o corpo

deixa de coincidir.

 

Lá dentro,

não há herói,

nem monstro:

 

há tempo

a habituar-se

a ser visto.

 

O preço

não é a imagem

quebrada,

 

mas a certeza

de que a fissura

não se repete

quando se olha.

 

 

O que se acumula

 

Há o que se acumula

e fica disponível.

 

O resto

sustenta outra continuidade.

 

Nem toda a utilidade

resiste ao mesmo cálculo.

 

Há formas de sustento

que desaparecem primeiro.

 

O vazio começa

a aproximar-se delas.

 

Nem tudo o que alimenta

se deixa contar.

 

Certas coisas

não atravessam o inverno,

mas atrasam

a chegada.

 

Mais tarde,

ainda há alimento.

 

Mas o silêncio

já não basta.

 

 

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