O espelho não pergunta
se valemos,
mostra
onde não cabemos.
O que se repete
não é rosto,
é movimento
sem origem.
A moldura
não protege,
fecha
o lugar
onde o corpo
deixa de coincidir.
Lá dentro,
não há herói,
nem monstro:
há tempo
a habituar-se
a ser visto.
O preço
não é a imagem
quebrada,
mas a certeza
de que a fissura
não se repete
quando se olha.
O que se acumula
Há o que se acumula
e fica disponível.
O resto
sustenta outra continuidade.
Nem toda a utilidade
resiste ao mesmo cálculo.
Há formas de sustento
que desaparecem primeiro.
O vazio começa
a aproximar-se delas.
Nem tudo o que alimenta
se deixa contar.
Certas coisas
não atravessam o inverno,
mas atrasam
a chegada.
Mais tarde,
ainda há alimento.
Mas o silêncio
já não basta.
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