O que permanece
nem sempre encontra lugar
no tempo que o atravessa.
Há vidas
que continuam
por insuficiência de fim.
O corpo mantém-se
por hábito,
ajustando-se
à perda de direção.
Nem toda a continuidade
implica pertença,
nem todo o movimento
pressupõe sentido.
Em certos momentos,
existir
é apenas
adiar o desaparecimento.
O que persiste
nem sempre acredita
na continuação,
mas também cessar
exige força.
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